DATABASE
DATABASE
Check updated information about occupy movement around the world.
Report INITIATIVES and information about your local situation as well as IDEAS and PROJECTS.
Register in order to RECEIVE ALERTS of events related to your locality and FEEDBACKS from your reports.
Translators needed!!!
TRANSLATORS DESPERATELY NEEDED
Contact us if you can translate into MANDARIN, ARABIC,FARSI,JAVANESE,PANJABI,URDU,FRANCAIS,TELUGU, VIETNAMESE,ESPANOL,RUSSIAN,PORTUGUES, ENGLISH (if not existing), JAPANESE, SWAHILI, HAUSA, AMHARIC, YORUBA, KURDISH,LINGALA, AFRIKAANS or any other language!!

Guia Rápido para uma revolução (Português)

Quick guide for a revolution [MULTI-LANGUAGE]

Guia Rápido para uma revolução
(pelo movimento 15M/Occupy)

[PDF]

Índice:

Sê os 99%.
- Pensa como os 99%.
- Pergunta aos 99%.
- Abre as portas aos 99%.
- Envolve os 99%.
Os 99% são globais.
Conquista as mentes. Define o teu próprio imaginário.
Emoções são os motores por trás de uma revolução.
- Não sejas enfadonho, não deixes ninguém aborrecer-te. Inflexibilidade e ódio são fracos, e fazem-nos fracos.

Organização:

Juntem-se em espaços públicos. São Vossos. Re-inventem-los.
- Demonstrações são apenas uma forma possível de protesto.
Combinem a rua e a internet.
Unidade cria força. Não se organizem por assunto ou território.
- Especialização leva a dispersão.
Falem, falem falem.
- Ouçam sempre ativamente.
- Não codifiquem a mensagem.
Tomem conta do debate.
- Toda a gente deve tomar conta do debate.
Decidam democraticamente. Não permitam que as minorias decidam pelos demais.
Permaneçam unidos sempre que possível. Sejam uma multidão múltipla o resto do tempo.
- Priorizar momentaneamente não significa renunciar.
- Reforma ou Revolução? Mudar o sistema ou construir um novo alternativo?
- Multiplicidade, sem perder o peso de cada indivíduo.
Não permitam que minorias venenosas matam o resto.
Sempre horizontal, mesmo quando vertical.
Criem espaços abertos, flexíveis, cheios de gente.
- Abram espaços.
- Espaços flexíveis.
- Somos humanos e gostamos de ser tratados como tal.

Ações:

A força da não-violência.
Não se deixem rotular e limitar. Inovem. Surpreendam.
Pensem em grande.
- Avaliem as vossas ações.
Sejam ativos, não reativos. Priorizem.
- Marquem o vosso tempo.
Não proponham, façam.
- Afastar os outros não é um bom método de união.
- Grupos de afinidade.


 

Sejam os 99%. A estrutura de uma sociedade só pode existir com a aceitação das pessoas que a formam. Se a sociedade decidir mudar e organizar-se para o fazer, então a mudança é inevitável. Nesta situação, mesmo que os poderosos tentem travá-a, não o poderão fazer se a maioria decidir ir avante com esta mudança.
- Pensem como os 99%. Antes de propôr uma ação ou reivindicação, pensem: Está esta proposta na linha dos 99%, irão os 99% sentir esta proposta como deles? Lembrem-se que os 99% são quem tem o poder de mudar, ou evitar a mudança. Se tentarem impor algo com que eles não se identificam, falharão.
- Perguntem aos 99%. O primeiro passo essencial é perguntar e compreender o que os 99% querem. Isto é algo que deve sempre ser revisto, estar sempre sob construção, sempre valioso.
- Abram as portas aos 99%. Toda a gente deve sentir que os espaços, as estruturas, as ações e as proposições são também deles e que podem participar na sua construção ou decisão, assim como seguir a evolução. Se há minorias que decidem por mim, ou espaçoes exclusivos que não sinto como meus, então não será a minha revolução, e como tal não será a revolução dos 99%.
Envolvam os 99%. Proclamar que todos podem participar nos espaços e ações não é suficiente para que de facto o façam. Conseguir que as pessoas participem ativamente na mudança é muito mais importante do que qualquer mudança. As minorias de ativistas não mudam o mundo, mesmo que pensem que vêem o mundo muito limpidamente, e é por isso que é fundamental gerar mecanismos para que todos participem ativamente. Lembrem-se que participar não é apenas ir a assembleias, demonstrações ou ações. Participar pode ser dar um abraço, aproximar uma cadeira, escrever um texto, mandar um postal a uma pessoa anónima explicando-lhe porque somos os 99%, etc. é fundamental que cada pessoa encontre ou invente a forma como quer participar.Os 99% são globais. Então por que mudar apenas num país? As nossas vidas já não são desligadas dos outros países. Não permitam que linhas imaginárias num mapa impeçam uma mudança maior.
As mudanças são rapidamente replicadas globalmente, mostrando como as nossas aspirações são aproximadamente as mesmas e prontas a ser partilhadas sem tradução cultural. Falem cara a cara com pessoas de outros lugares e descubram que as diferenças são meramente superficiais e limitadas ao estético ou anedótico.
Partilhar a revolução com outros países ajuda as pessoas a sentirem-se confortadas por fazerem parte e inclui muito mais gente para produzir ideias, propostas e ferramentas que nos podem ajudar a todos. O crescimento colectivo é um crescimento intelectual.
Alcançar um nível global significa criar um diálogo verdadeiro entre pessoas de todo o mundo. Não é traduzir o que cada país faz e criar centenas de monólogos.

Conquistem as mentes. Definam o vosso próprio imaginário.
Se a chave para a revolução é as pessoas quererem e lutarem por uma mudança, a subjectividade é o que necessita ser transformado para uma mudança efectiva. É por isso que cada subjectividade individual e imaginário colectivo entre todos serão o nosso primeiro campo de batalha.
A revolução é uma luta para fazer as pessoas acreditar numa mudança que parecia impossível antes.
Se perceberem isto, a revolução ganha – a mudança estrutural que vem depois é inevitável.
A principal estratégia do sistema é definir “o que as coisas são”, “realidade”, com uma imagem muito concreta, que replica sempre o status quo, fazendo qualquer possibilidade de mudança impensável.

Emoções são os motores atrás de uma revolução
Isto é o que define se uma ação terá sucesso ou não. É a chave, o que nos aproxima de um discurso, uma proposta, de nos cometermos.
Se as emoções são inativas então é impossível ter sucesso. Se concordam com uma ideia mas não se sentem movidos por ela, então não farão um esforço para a tornar realidade.
- Não sejam enfadonhos, e não deixem ninguém aborrecer-vos. Inflexibilidade e ódio são fracos, e tornam-nos fracos.
Quando nos divertimos somos criativos, empáticos e simpáticos. Rir, comportar-se naturalmente, dá-vos força, reafirma a vossa legitimidade, convida outras pessoas a juntarem-se. Podem fazer frente a qualquer tema sério sem ter uma fronha na cara, sem gritar. O ódio desrói a nossa criatividade, limita as vossas opções, divide o grupo. Não t|em que odiar o 1% para ganhar, apenas confiar nos 99%.

Organização:

Juntem-se em espaços públicos. São vossos. Re-inventem-los. Juntem-se em espaços públicos e falem e divirtam-se e organizem-se. Tomem as ruas, as praças, os parques, os mercados, os museus, o metro, o elevador. Tomem os vossos espaços e façam os 99% visíveis mas não se contentem a juntar apenas para demonstrar. Se há uma demonstração, aproveitem a oportunidade e juntem-se para falar, organizar, criar, propôr, inventar, inovar. Os espaços dos 99% estão à espera de ser totalmente reinventados.
- Demonstrações são apenas uma forma de protesto. Na maioria dos casos, elas não alcançam os seus objectivos. Não se limitem ao que já é conhecido. _Inovem_Imaginem_.

Combinem as ruas e a internet: Nas ruas é onde encontrarão emoções, fisicalidade, o que ns move. É onde poderão ver o outro, a forma dele falar, a forma dela rir, as suas emoções e tudo o que nos liga. Sentimos que somos muitos, dá-nos energia e faz-nos sentir menos sós e isolados. Reconhecemo-nos como os 99%.
Por outro lado, as ruas são limitadas. Há uma quantidade limitada de gente a falar, uma organização e troca de informação limitadas – não é sempre inclusiva, pois sabemos que nem todos se podem juntar, há uma quantidade limitada de nós.
A internet é um espaço instantâneo e ilimitado onde milhões de pessoas se podem encontrar e organizar, unindo países e culturas, criado ligações que seriam de outra forma impossíveis. A internet é o único espaço democrático, horizontal e descentralizado onde os grandes poderes são mais fracos que a soma dos cidadãos.
Quando saímos da rua a emoção perde-se. Se perdermos a Inernet, perdemos globalidade, perdemos a nossa ferramenta organizadora e a nossa fonte de informação mais poderosas.

Unidade faz a força. Não se organizem por tema ou território.
Apesar da ideia de organizar o movimento por temas ou territórios parecer bastante natural e lógica, dessa forma apenas se irão focar e priorizar os problemas temáticos ou territoriais e começa a haver lutas parciais onde apenas as pessoas envolvidas nesse tema ou território se juntarão, perdendo a força dos 99%, Se dividirmos as lutas, muitas pessoas não sentirão como suas tais lutas, e como tal não será a sua revolução; Esta divisão faz desvanecer as referências que nos unem e nos definem como os 99%. Como exemplo: Se o movimento é baseado ou limitado à educação, nessa luta só estarão envolvidos professores, estudantes e parentes, mesmo quando todos nós pensamos que a educação é um dos pilares da sociedade. O mesmo pode ocorrer se pensarmos desde a nossa vizinhança, ou cidade.
Contudo, se em vez de pontos particulares, a base do movimento for os pontos comuns, o que nos une, todas as pessoas irão pensar em todos os temas e territórios, todas as lutas parciais serão pensadas, propostas e apoiadas por todos. Estaremos todos encarregues de defender cada luta parcial.
Apesar disso, com respeito aos territórios, temos que ter em conta que divisões territoriais nada têm a ver com o sentimento comum. Dormimos, trabalhamos e conhecemos gente indo de uma área à outra, por vezes atravessando fronteiras, comunicando e criando laços e afinidades além-fronteiras. A ideia de uma organização territorial é acidental e, especialmente devido às novas tecnologias, perdeu o seu sentido.
Claro que isto não significa que por cima de uma base comum de organização não se possam construir estruturas organizadas por tema ou território, mas sempre como elementos secundários com respeito ao que é realmente colectivo e universal.
- Especialização leva a dispersão. Temos tendência para organizar grupos pela sua discussão ou conhecimento especializado – a evitar para não haver fragmentação.
Cada vez que criam num novo grupo assegurem-se que há uma razão para isso; assegurem-se também que algumas pessoas contribuem para que não haja dispersão para que o grupo possa ser eficiente.

Falem, falem, falem. Espalhem as palavras para todo o lado. Ouçam todas as opiniões. Deixem toda a informação aparecer. Debatam e deixem as pessoas debater.
- Ouçam sempre ativamente..
Ouçam, ouçam, ouçam. Deixem que as diferenças sejam percebidas. Permitam que todos se entendam. Se não ouvirmos os outros não chegaremos longe; se cada um de nós faz a revolução por si, todos falharemos. Os debates não devem tornar-se em lutas para ver quem tem razão. Assegurem-se que todos ouvem ativamente, e que há sempre uma vontade de compreender o que o outro quer, independentemente se gostamos ou não. Deixem que as ideias, e não as pessoas, tenham o principal papel no debate.
Não se esqueçam que ouvir ativamente é o oposto de passividade. Vai muito além de apenas atenção e respeito. Não significa esperar a vossa vez para falar com atenção. É uma atitude genuína de perceber o que o outro diz, por que o diz, e construir a partir daí. Motivem a que todos questionem sobre o que não compreendem, que procurem pontos de vista alternativos, que os argumentos sejam reforçados ou alterados.
- Não codifiquem a mensagem.
Para facilitar a audição ativa não usem linguagens desnecessariamente complexas, privadas ou técnicas. Expressem as vossas opiniões de forma sintética, clara, fácil e concisa: exponham e reforcem a vossa ideia principal sem demasiadas explicações, adornamentos, ou tecnicalidades desnecessárias. O objetivo é que a maioria perceba as vossas ideias para juntar-se ao debate. As ideias podem ainda assim ser muito complexas mesmo se expressas de forma simples.

Tomem conta do debate.
Não permitam que as pessoas se ataquem nos espaços de debate, ou que atmosferas violentas apareçam ou que as pessoas tenham medo de aparecer e expor as suas ideias ou dúvidas contra a maioria. Nada justifica que o debate não seja calmo, ou o medo de pensar diferente.
- Todos devemos tomar conta do debate.
Todos devem estar alerta contra a demagogia, violência ou o medo de pensar de forma diferente. Não permitam que algumas pessoas estejam no poder. Construam ferramentas que vos permitam responder colectivamente em tais situações.

Decidam democraticamente. Não permitam que as minorias decidam pelos demais.
Quando tiverem que tomar uma decisão deixem que todos expressem as suas opiniões, especialmente as que estão em desacordo. Deixem os debates evoluir, e tentem que as pessoas reformulem as suas propostas e encontrem um consenso entre as divergências. Mas não forcem a síntese ou o pensamento homogéneo como unanimidade. Nem sempre opiniões divergentes conseguem ser sintetizadas numa única opinião. Deixem as pessoas decidir quando o debate terminou e as opiniões não se conseguem aproximar mais, e então é tempo de tomar uma decisão. E quando chegar a hora, tomem a decisão pela maioria. Assegurem-se que as divergências minoritárias são coletadas e que têm o seu espaço de ser trabalhadas e construir os seus próprios espaços (algumas após algum trabalho podem tornar-se em opiniões da maioria), mas não deixem que elas bloqueiem o sentimento da maioria. Procurar consenso (como o processo funciona) não deve ser confundido com unanimidade (essa é apenas uma das possíveis formas de tomar uma decisão no fim do processo, e é totalmente paralisadora ao contrário da via da maioria; não repitam o mesmo erro do sistema de por os interesses do 1% à frente dos interesses dos 99%). Todas as decisões devem ser reconsideradas quando as pessoas querem e se justifica. Assim, não há problema em tomar decisões erradas. A paralisia produzida pelo medo de atuar erroneamente é muito mais perigosa.

Permaneçam unidos sempre que possível. Sejam uma multidão múltipla o resto do tempo.
Sejam construtivos. Não persistam sempre no que cada um pensa que é a forma correta. Atuem juntos sempre que possível; Abram diferentes vias e trabalhem nas vossas opções sem atacar os outros no resto do tempo. Se estiverem errados será ótimo que outras pessoas estejam a trabalhar nas suas ideias. Não edifiquem propostas consensuais artificiais que pareçam conter a opinião global mas que na verdade não satisfazem ninguém; isso normalmente mata as partes mais interessantes de cada ideia.
- Priorizar momentaneamente não significa renunciar.
Se a certa altura precisarem fazer uma decisão que afecta todo o movimento, e a essa altura não for possível abrir múltiplos caminhos, lembrem-se que todas as decisões podem ser reconsideradas no futuro, e como tal terão a oportunidade de tentar outros caminhos. De forma a encontrar as decisões corretas, muitas vezes temos que tomar algumas erradas primeiro. Não deixem que o vosso desacordo evita uma decisão de ser tomada. Não ponham a vossa posição à frente da dos demais.
- Reforma ou Revolução? Mudar o sistema ou construir um novo alternativo?
Fujam de questões que vos levem para dicotomias artificiais e desnecessárias. A realidade é cheia de possibilidades, não têm que escolher entre opostos – muitas opções podem ser criadas simultaneamente.
Uma divisão natural aparecerá entre pessoas que querem pequenas mudanças e aquelas que querem grandes mudanças; ou entre as que querem controlar o sistema e mudá-lo e aquelas que querem criar um novo alternativo. Não deixem o debate focar-se aí – não há necessidade! Lembrem-se que todos queremos uma mudança. Abram múltiplos caminhos e deixem as pessoas ir o mais longe possível.
Muitas possibilidades é sempre melhor do que apenas uma – e mais pessoas participarem, por extensão.
Por vezes o que parece oposto à primeira vista acaba por descobrir-se um complemento, se evitarmos competição.
Competiçãp, dicotomias, opostos impossíveis são estratégias do capitalismo.
- Multiplicidade, sem perder o peso de cada indivíduo.
Façam sondagens para ver a aceitação de diferentes propostas entre pessoas. É uma ferramenta importante compreender o que os 99% querem, e ajudar-vos a decidir as vossas prioridades.

Não permitam que minorias venenosas matem o resto.
Vão sempre aparecer alguns indivíduos (não muitos, mas muito barulhentos) que tentarão impor as suas opiniões e imaginário pessoais, usar a força da revolução para a sua luta pessoal, aquela que eles pensam ser prioritária, usando linguagens old-style, persistindo em vias de atuação que nunca funcionaram porque nem as suas propostas nem os seus caminhos são os dos 99%.
Frequentemente estas pessoas tentam fazer com que as pessoas acreditam que quem pensa diferente deles está “do lado do sistema”, que outras opiniões são “um insulto às vítimas”, que se não berrarem slogans extremistas não estão do “lado dos oprimidos”, usarão demagogia para igualar maioria com totalitarismo, acusar-vos-ão de dividirem o grupo, chamar-se-ão “verdadeiros revolucionários”, tomarão os temas genéricos para o lado pessoal e atacarão os outros. Normalmente, a sua falta de argumentos levá-los-á a impor as suas opiniões através de ataques, demagogia, vitimização e mesmo violência. As suas intervenções vão normalmente ser destrutivas, exceto quando a maioria concordar com as suas opiniões. Ouvir ativamente será impossível para eles.
A atmosfera gerada por eles coerce o resto das pessoas a expressar o que pensam porque eles transformam o pensamento diferente em confronto.
Quando isto acontece, evitem confrontos diretos, não lhes dêem mais espaço ou voz do que eles merecem. Neutralizem estas situações falando nelas; irão ver que muitas pessoas sentem o mesmo que vós, mas não saberão como dizê-lo. É muito importante construir mecanismos para evitar que estas minorias radicais monopolizem o espaço e o tempo, porque a sua luta não é a dos 99%. Estejam alerta, a força da maioria é a única coisa que os pode parar, como sempre acontece com aqueles pertencentes aos 1%.

Sempre horizontal, mesmo quando vertical.
Trabalhar de forma horizontal, e usando estruturas em rede, torna muito difícil ao sistema desmantelar-te, e é a única forma verdadeiramente democrática. Assegurem que todos podem propor e organizar algo sem atravessar burocracias, permissões, estruturas. A ausência de líderes é muito importante para que o movimento pertença aos 99%, e deixem que as pessoas entendam que são elas que têm que decidir. Fazer todas as posições delicadas (porta-voz, moderadores, ou outra posição geradora de tensões) rotativas é uma excelente solução.
Se a dado momento a maioria decide que necessita alguma forma de estruturas ou posições verticais, assegurem-se que estas são controladas a todo o momento por todas as pessoas na via horizontal, e essa ideia seja clara e presente para todos dentro e fora do movimento.

Criem espaços abertos, flexíveis e cjeops de gente.
- Abram espaços. Espaços devem estar abertos para todos possam entrar. Aqueles que nunca vieram antes devem sentir-se confortáveis e convidados a fazê-lo; aqueles que já se juntaram devem sentir-se motivados para regressar quando quiserem. Tornem a participação tão fácil quanto possível, se de forma a participar num espaço alguém tiver que seguir milhares de protocolos, no fim isso vai implicitamente excluir muita gente.
Abram espaços para pessoas e ideias. Não deixem nenhuma ideia ser censurada.
- Espaços flexíveis.
Contudo, de forma a fazer comunicação e criação possíveis nesses espaços, através da soma das vozes individuais, é necessário estabelecer algumas regras explícitas. Comummente, estas regras tendem a tornar-se complicadas com o tempo, tentando evitar todos os possíveis problemas, indo contra a abertura prévia; e também tendem a tornar-se dogmas. O melhor seria tornar todas estas regras tão fáceis quanto possível, permitindo a toda a gente participar, e ao mesmo tempo permitir a todas as regras que sejam mudadas e redesenhadas aqualquer momento para que possam sempre ser melhoradas. Isto criará espaços vivos e orgânicos, em vez de espaços cristalizados condenados às suas falhas internas.
- Somos humanos e gostamos de ser tratados como tal.
Isso implica respeito, empatia, generosidade, etc. E mesmo sendo muitos, somos apenas humanos. Comportarem-se naturalmente aproximar-vos-á das pessoas. Burocracia, linguagens complicas, afastam-nos uns dos outros. Atráves destas simples ideias podem estar poderosos conceitos.

Ações:

A força da não-violência. A não violência é mais poderosa do que a violência. Permite que todos participem (homens, mulheres, jovens, idosos, legais, ilegais, covardes e corajosos).
Não-violência evita rótulos e não permite ao sistema deslegitimizar a nossa mensagem.
Permite múltiplas ações em vez de uma batalha física que nos torna muito mais fracos que o sistema..

Não se deixem rotular e limitar. Inovem. Surpreendam.
Se eles nos rotularem ou simplificarem o movimento perde a sua profundidade; ser reduzidos a um estereótipo com o qual ninguém se identifica ou compreende.
O sistema é pesado e lento, a nossa força está na fluidez, no ritmo alto, no dinamismo.
Quando os movimentos se tornam previsíveis, quando linguagens e hábitos se tornam uniformes e old-school o movimento perdeu a sua chama, e como tal torna-se ineficiente porque os 1% sabem como jogar esse jogo. Sejam imprevisíveis, ataquem onde eles não esperam um ataque, confundam-nos, não estejam onde eles vos esperam. Escolham sempre o jogo a jogar, e escolham jogos que vençam. Cada vez que eles proponham um jogo, como um choque violento, fujam e proponham um novo.

Pensem em grande.
Temos tendência a pensar a partir das nossas vidas diárias, daquilo que está à nossa volta, e normalmente rotulamos como impossível muitas coisas que estão ao nosso alcance. Pensem em grande, como se tivessem todos os meios, e muitas vezes descobrirão que afinal era mais fácil do que se pensava, ou irão descobrir novas formas de atingir o que queriam. Se algo valhe a pena, se há pelo menos uma mínima hipótese de fazê-lo, e fornece uma grande recompensa, não deixem de tentar.
Aspirem a vencer as vossas ações. Não caiam no ativismo como estilo de vida.
- Avaliem as vossas ações.
Antes e depois de cada ação ou proposta avaliem o efeito que poderão ter ou tiveram, de forma a ajudar-vos a decidir nos passos seguintes.

Sejam ativos e não reativos. Priorizem.
Não se tornem um movimento de reação ao que o sistema faz. Isso queima-vos e limita-vos a uma forma muito específica de enfrentar as coisas, e torna-vos fáceis de neutralizar. A urgência de responder a situações específicas fazem-vos priorizar o que pode não ser uma prioridade. Não tentem abrir todas as lutas, foquem-se e priorizem.
- Marquem o vosso tempo.
Quando estiverem a propor ações, responder aos media ou a propor conteúdo para o movimento, marquem o vosso tempo, o mais conveniente para vocês. Não deixem ninguém de fora impor-vos um ritmo, ou apressar-vos devido à urgência de todas as coisas que desejam mudar ou responder.

Não proponham, façam. Estimulem compromisso cada vez que há uma proposta (pelo menos organizando um grupo para lhe dar uma forma definida e fazê-a acontecer no caso de necessitarem de mais gente) para que os espaços possam ser muito mais produtivos; convida pessoas a pensar antes de propor.
Lembrem-se sempre de dizer: Não pronham, façam.
- Afastar os outros não é um bom método de união.
De forma a encorajar os outros a juntarem-se, não exijam, queixem ou critiquem a passividade das pessoas. Dessa forma não as encorajarão a envolver. Digam-lhes o que necessitam delas, que o grupo apreciará a sua ajuda. Quando alguém se sente útil participará por desejo e não por obrigação.
- Grupos de afinidade. Motivem as pessoas a habituarem-se a organizar em grupos quando desenvolverem uma ideia (grupos de afinidade, amigos ou pessoas que pensam similarmente; sem burocracia).
Não é só mais eficiente e menos destrutivo quando as ideias não estão totalmente maduras mas também promove uma atitude ativa para a vida e a sociedade, extremamente importante para a mudança.

About author
A #globalrevolution enthusiast. Twitter: @AliceKhatib
Submit your comment

Please enter your name

Your name is required

Please enter a valid email address

An email address is required

Please enter your message

You think some article is too ethnocentric or difficult to grasp for most of world's population? Tell us - or even better: send us a better version! Thank you!
Donate with WePay

Copyleft, 2011. All rights reversed.

Designed by WPSHOWER

Powered by WordPress